A última volta com o amigo fiel

Isso se explica pelo fato de a cidade ser pequena ainda e onde quer que ele fosse ia se deparar com situações desagradáveis. Hoje, eu penso que ele se afastou para evitar aborrecimento e também para se poupar das críticas daqueles que não aprovaram a sua saída da presidência da S.A. Em 2003, começou a pensar na possibilidade de retomar o trabalho que havia deixado há 30 anos. Esse desejo veio após retornar ao circuito com o Pedro Amaral, pessoa de sua total confiança, que trabalhava com ele desde 1981 nas fazendas em MS. Pedro relembra com detalhes como foi o retorno do meu pai ao autódromo: \“Numa das suas vindas a Cascavel, não recordo bem se no final de 2002 ou início de 2003, fomos a uma concessionária e lá ele tirou um Peugeot. Saímos dali direto para o posto de gasolina. Ele encheu o tanque e seguimos para o autódromo. Sem placas e sem seguro, lá ele deu umas 30 voltas com o carro. Enquanto corria, ele me dizia: EU GOSTO MUITO DE FAZER ISSO AQUI. Quando estávamos saindo do autódromo, ele parou o carro logo acima do túnel e começou a chorar! Depois daquele dia, ele começou a rascunhar um projeto e nem a família sabia. Ele gostava muito de colocar tudo no papel, tinha muitos rascunhos. A ideia dele era reestruturar aquilo lá e uma das coisas era fazer uma pousada para os corredores. Ele dizia que tinha amigos que dariam apoio para isso. “Seo” Zilmar era um homem bom, honesto e trabalhador. Quando falava que ia fazer alguma coisa ia lá e fazia. Também não era de se arrepender das decisões que tomava, mas quando falava do autódromo dizia que tinha sido apunhalado pelas costas pelas pessoas que ele mais gostava e confiava. Convivemos muitos anos. Fiquei ao lado dele 15 dias no hospital e estava no quarto quando ele faleceu. Tenho muita saudade do amigo. Só guardo boas lembranças\”.